{"id":52405,"date":"2020-03-21T13:20:08","date_gmt":"2020-03-21T16:20:08","guid":{"rendered":"https:\/\/lnbio.cnpem.br\/a-solucao-contra-o-coronavirus-pode-estar-nas-prateleiras\/"},"modified":"2020-03-21T13:20:08","modified_gmt":"2020-03-21T16:20:08","slug":"a-solucao-contra-o-coronavirus-pode-estar-nas-prateleiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lnbio.cnpem.br\/en\/a-solucao-contra-o-coronavirus-pode-estar-nas-prateleiras\/","title":{"rendered":"A solu\u00e7\u00e3o contra o COVID-19 pode estar nas prateleiras?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"xmsonormal\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p>Buscar mol\u00e9culas ativas contra o coronav\u00edrus entre medicamentos que j\u00e1 est\u00e3o no mercado \u00e9 um dos principais esfor\u00e7os do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), no \u00e2mbito da Rede V\u00edrus MCTIC\u2013 iniciativa promovida pelo Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es (MCTIC).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por meio de ferramentas avan\u00e7adas de biologia computacional e intelig\u00eancia artificial, os pesquisadores do CNPEM t\u00eam avaliado os cerca de 2.000 f\u00e1rmacos j\u00e1 aprovados, j\u00e1 conhecidos e comercializados. As an\u00e1lises indicam se essas subst\u00e2ncias s\u00e3o capazes de se ligar ao v\u00edrus, em lugares espec\u00edficos, capazes de bloquear a replica\u00e7\u00e3o viral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cDiante do cen\u00e1rio de pandemia, a busca por mol\u00e9culas em medicamentos j\u00e1 autorizados \u00e9 estrat\u00e9gica. Ao olharmos para subst\u00e2ncias j\u00e1 avaliadas como seguras, podemos chegar aos testes cl\u00ednicos, com pacientes humanos, em um intervalo de tempo reduzido, se comparado ao processo normal de descoberta de f\u00e1rmacos\u201d, explica Rafael Elias Marques, especialista em virologia do CNPEM.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O CNPEM j\u00e1 avaliou os cerca de 2.000 f\u00e1rmacos j\u00e1 aprovados contra o COVID-19. Deste universo de subst\u00e2ncias j\u00e1 conhecidas, 5 foram consideradas como promissoras e seguem em testes com c\u00e9lulas infectadas com o v\u00edrus.&nbsp;Essa pr\u00e9-sele\u00e7\u00e3o re\u00fane drogas como analg\u00e9sicos, anti-hipertensivos, antibi\u00f3ticos, diur\u00e9ticos e outros<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Solu\u00e7\u00e3o estaria no medicamento contra a Mal\u00e1ria?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o mundial contra o coronav\u00edrus tem apontado efeitos positivos de rem\u00e9dio droga j\u00e1 empregado no combate \u00e0 mal\u00e1ria para tratar a infec\u00e7\u00e3o viral. Esses resultados positivos, j\u00e1 extremamente relevantes, podem ser potencializados pelos esfor\u00e7os dos pesquisadores brasileiros. Isso porque no combate \u00e0s infec\u00e7\u00f5es virais, as terapias mais efetivas re\u00fanem mais de um composto ativo para vencer as frequentes muta\u00e7\u00f5es do v\u00edrus. Ou seja, \u00e9 preciso um arsenal terap\u00eautico, capaz de inibir diferentes alvos virais, como acontece no coquetel utilizado contra o HIV. Esta estrat\u00e9gia est\u00e1 sendo adotada pelos pesquisadores do CNPEM nas pesquisas em combate ao COVID-19.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Chave-fechadura<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O material gen\u00e9tico do coronav\u00edrus encontra-se no interior do caps\u00eddeo, um inv\u00f3lucro de natureza proteica, contido, por sua vez, em um envelope constitu\u00eddo por tr\u00eas prote\u00ednas estruturais, dentre as quais a prote\u00edna spike, envolvida na entrada do v\u00edrus na c\u00e9lula hospedeira e que d\u00e1 a apar\u00eancia de coroa ao v\u00edrus. O coronav\u00edrus tamb\u00e9m produz enzimas acess\u00f3rias que s\u00e3o essenciais para o seu ciclo de vida e que, portanto, s\u00e3o alvos potenciais para a a\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos com efeitos antivirais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No CNPEM, os pesquisadores, est\u00e3o trabalhando na procura de inibidores de pelo menos quatro prote\u00ednas do coronav\u00edrus, incluindo enzimas acess\u00f3rias e prote\u00ednas estruturais. Em testes computacionais, que utilizam dados at\u00f4micos da estrutura e a\u00e7\u00e3o das prote\u00ednas, combinados com o uso de ferramentas de intelig\u00eancia artificial, os pesquisadores testam a intera\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas dispon\u00edveis nas farm\u00e1cias com essas prote\u00ednas-alvo para pr\u00e9-selecionar aquelas que se mostram promissoras em interferir na infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As mol\u00e9culas selecionadas s\u00e3o ent\u00e3o testadas em ensaios in vitro, para verifica\u00e7\u00e3o de sua efic\u00e1cia em eliminar a carga viral, embasando assim a reproposta de uso dos medicamentos j\u00e1 dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esfor\u00e7os do CNPEM tamb\u00e9m est\u00e3o na determina\u00e7\u00e3o da estrutura das prote\u00ednas do coronav\u00edrus, formas ainda n\u00e3o conhecidas, e da pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o da part\u00edcula viral. Isto \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 infraestrutura estabelecida no CNPEM, a qual permite a produ\u00e7\u00e3o dos alvos proteicos, determina\u00e7\u00e3o e o estudo de prote\u00ednas virais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Trabalho cont\u00ednuo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A r\u00e1pida resposta do CNPEM \u00e0 epidemia de corona v\u00edrus vale-se da expertise de seus pesquisadores em virologia, biologia computacional, estudos aprofundados de prote\u00ednas, dentre outras compet\u00eancias que precisam ser integradas para enfrentar grandes desafios. Al\u00e9m do time de especialistas altamente qualificados, o Centro mant\u00e9m, com financiamento do MCTIC, infraestrutura e equipamentos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, competitivos internacionalmente, para apoiar os avan\u00e7os da pesquisa nacional. Em breve, esse arsenal ganhar\u00e1 um importante aliado, o Sirius \u2013 o novo acelerador de el\u00e9trons brasileiro. Projetado para ser uma das mais avan\u00e7adas fontes de luz s\u00edncrotron do mundo e com recursos para lan\u00e7ar a outro patamar as pesquisas que utilizam estruturas moleculares, como \u00e9 o caso da \u00e1rea de descoberta de f\u00e1rmacos, entre tantas outras.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre o CNPEM<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ambiente de pesquisa&nbsp;e desenvolvimento sofisticado e efervescente, \u00fanico no Pa\u00eds&nbsp;e presente em poucos polos cient\u00edficos no mundo, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o social supervisionada pelo Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es (MCTIC). O Centro opera quatro Laborat\u00f3rios Nacionais e \u00e9 ber\u00e7o do mais complexo&nbsp;projeto da ci\u00eancia brasileira \u2013 o Sirius \u2013 uma das mais avan\u00e7adas fontes de luz s\u00edncrotron do mundo. O CNPEM re\u00fane equipes multitem\u00e1ticas altamente especializadas,&nbsp;infraestruturas laboratoriais&nbsp;mundialmente competitivas e abertas \u00e0 comunidade cient\u00edfica, linhas de pesquisa em \u00e1reas estrat\u00e9gicas, projetos inovadores em parcerias com o setor produtivo e a\u00e7\u00f5es de treinamento para pesquisadores e estudantes. O Centro constitui um ambiente movido pela busca de solu\u00e7\u00f5es com impacto nas \u00e1reas de sa\u00fade, energia, meio ambiente, novos materiais, entre outras.&nbsp;&nbsp;&nbsp;As compet\u00eancias singulares e complementares presentes nos Laborat\u00f3rios Nacionais do CNPEM impulsionam pesquisas e desenvolvimentos nas \u00e1reas de luz s\u00edncrotron; engenharia de aceleradores; descoberta de novos medicamentos, inclusive a partir de esp\u00e9cies vegetais da biodiversidade brasileira; mecanismos moleculares envolvidos no surgimento e na progress\u00e3o do c\u00e2ncer, doen\u00e7as card\u00edacas e do neurodesenvolvimento; nanopart\u00edculas funcionalizadas para combate de bact\u00e9rias, v\u00edrus, c\u00e2ncer; novos sensores e dispositivos nanoestruturados para os setores de \u00f3leo e g\u00e1s e sa\u00fade; solu\u00e7\u00f5es biotecnol\u00f3gicas para o desenvolvimento sustent\u00e1vel de biocombust\u00edveis avan\u00e7ados, bioqu\u00edmicos e biomateriais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre a Rede V\u00edrus MCTIC<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Rede V\u00edrus MCTIC, criada pela portaria MCTIC n\u00ba 1010\/2020, funcionar\u00e1 como um comit\u00ea de assessoramento estrat\u00e9gico que ir\u00e1 atuar na articula\u00e7\u00e3o dos Laborat\u00f3rios de Pesquisa, com foco na efici\u00eancia econ\u00f4mica e na otimiza\u00e7\u00e3o e complementaridade da infraestrutura e de atividades de pesquisa que est\u00e3o em andamento, em especial com o coronav\u00edrus e influenza. Sendo assim, se pretende otimizar o conhecimento cient\u00edfico que est\u00e1 sendo produzido no pa\u00eds com rela\u00e7\u00e3o a este tema e auxiliar a transforma\u00e7\u00e3o deste conhecimento em resultados pr\u00e1ticos para a sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os principais objetivos do Rede V\u00edrus MCTIC s\u00e3o auxiliar os minist\u00e9rios na:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>I &#8211; integra\u00e7\u00e3o dos esfor\u00e7os de pesquisa cient\u00edfica e desenvolvimento tecnol\u00f3gico em viroses emergentes;<\/p>\n<p>II \u2013defini\u00e7\u00e3o de prioridades de pesquisa nesta \u00e1rea;<\/p>\n<p>III \u2013 articula\u00e7\u00e3o de iniciativas de P,D&amp;I em andamento e relacionadas \u00e0s viroses emergentes, inicialmente com foco em coronav\u00edrus e influenza<\/p>\n<p>IV &#8211; desenvolvimento de tecnologias para auxiliar o Pa\u00eds no enfrentamento das viroses emergentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Quem s\u00e3o os envolvidos nela? Outras universidades p\u00fablicas participam da Rede?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Comit\u00ea da Rede V\u00edrus contar\u00e1 pesquisadores especialistas em viroses, al\u00e9m de representantes do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e das ag\u00eancias de fomento do MCTIC. Cabe ressaltar que o comit\u00ea da Rede V\u00edrus prev\u00ea a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores e entidade convidados, desta forma poder\u00e1 receber contribui\u00e7\u00f5es de diversos pesquisadores e de diferentes \u00e1reas do conhecimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os nomes ainda est\u00e3o sendo confirmados, mas a Rede ter\u00e1 representantes da Fiocruz, Butantan, USP, Unicamp, UFMG, UFC, CNPEM\/LNBio, UFRJ, entre outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; O MCTIC destinou ou ir\u00e1 destinar quanto de verba para novos estudos sobre esse assunto?<\/p>\n<p>Sim, no momento o MCTIC est\u00e1 destinando uma verba inicial para os laborat\u00f3rios realizarem a atividades iniciais tais como: cultivo do v\u00edrus em laborat\u00f3rio, sequenciamento, entre outras. Adicionalmente o Ministro Marcos Pontes enviou uma proposta de Medida Provis\u00f3ria para a Casa Civil para libera\u00e7\u00e3o emergencial de R$ 100 milh\u00f5es do FNDCT. Este recurso , que aguarda a aprova\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Economia, ser\u00e1 aplicado em Redes de Pesquisa, INCTs e chamadas p\u00fablicas via CNPq e Finep.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na corrida contra o COVID-19, o CNPEM busca mol\u00e9culas capazes de impedir a replica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus em drogas j\u00e1 comercializadas. <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":51871,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[122],"tags":[],"class_list":["post-52405","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-en","category-122","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lnbio.cnpem.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52405","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lnbio.cnpem.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lnbio.cnpem.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lnbio.cnpem.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lnbio.cnpem.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52405"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/lnbio.cnpem.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52405\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lnbio.cnpem.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51871"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lnbio.cnpem.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52405"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lnbio.cnpem.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52405"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lnbio.cnpem.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52405"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}